por Othon Bastos, ator.

A Laís Bodanzky é uma diretora exigente, minuciosa. Ela tem muito cuidado com as coisas que faz para não sair do caminho que ela quer. Mas, ao mesmo tempo, era maleável, porque você podia dar opinião também: “Você não acha isso?”. Em determinados casos ela era persistente e dizia: “Não, eu quero assim”. Eu fui o primeiro ator com quem a Laís falou do Bicho de Sete Cabeças: “Eu tô fazendo um filme, eu queria que você trabalhasse nesse filme, fizesse o pai”. E ela começou a mandar os roteiros: “Olha, estou mandando o primeiro, mandando o terceiro, nono, décimo”. Eu fui uma das primeiras pessoas a ler. Depois ela me disse: “Que tal o fulano para o papel?”. Eu dizia: “Ótimo!”. Então ela disse: “Eu quero o Rodrigo Santoro, porque ele fez muito bem aquele padre daquela minissérie, Hilda Furacão, eu senti que ele era humano, que tem um calor humano muito grande. Eu acho que vai fazer esse personagem muito bem.” Eu disse: “Eu não conheço o Rodrigo muito, quer dizer, vi a minissérie, o trabalho dele era muito bom, não conheço ele assim, intimamente”.

Aí eu o conheci e nós começamos a trabalhar. Fizemos vários laboratórios e tivemos um preparador de elenco muito bom, o Sérgio Penna. Ele era maravilhoso. O Sérgio pegou a turma dos loucos mesmo, e colocou todo mundo dentro do trabalho desse processo. Por isso ele conseguiu trabalhos maravilhosos de todo o elenco… O bom do Sérgio é que ele assistia a um ensaio, por exemplo, aquela cena que eu descubro o brinco: “Que é isso na sua cara?”. Ele assistia ao ensaio, depois falava, dava uns toques, mas eram uns toques sempre muito conscienciosos, não era um toque de exibicionista: “Você tem que fazer assim!” Não, era uma coisa sempre muito humana: “O pai não faria assim, você não acha?“ Eu dizia: “Acho, é verdade, boa ideia”.

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Sergio Penna

interpretação para cinema e tv

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